Para muitas pessoas, mudanças no estilo de vida e medicamentos são suficientes para tratar o refluxo gastroesofágico. Mas, quando os sintomas persistem apesar do tratamento convencional, a cirurgia pode ser uma opção vantajosa.
Ter refluxo ocasional é comum. Porém, quando os sintomas de azia ou regurgitação acontecem com frequência, isso pode indicar doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Nesse quadro, o conteúdo do estômago volta para o esôfago de forma persistente e pode causar inflamação, desconforto e danos no tecido esofagiano.
Geralmente, o refluxo é tratado com mudanças na dieta, ajustes de hábitos de vida e uso de medicamentos que reduzem a acidez. Contudo, quando esses tratamentos não são eficazes ou quando surgem complicações, o tratamento cirúrgico costuma ser considerado. Mas será que ele é sempre necessário?
Neste artigo, você vai entender se o refluxo persistente exige cirurgia, como esse procedimento é feito e quais são os benefícios. Continue lendo!
O que é refluxo persistente?
O refluxo gastroesofágico ocorre porque a válvula natural (esfíncter esofágico inferior) que deveria impedir o retorno do conteúdo gástrico não funciona adequadamente. Além disso, fatores como hérnia de hiato e aumento da pressão intra-abdominal contribuem para o refluxo.
Quando essa situação se torna frequente, com sintomas que persistem, mesmo com tratamento conservador, mudança do hábito alimentar e uso da medicação correta IPB (inibidor de bomba de prótons, ex – omeprazol) em dose máxima, ocorre o refluxo persistente.
Ele também é chamado de refluxo refratário. Essa questão é preocupante porque o tecido do esôfago não está preparado para a acidez excessiva do conteúdo estomacal. Então, a tendência é ocorrerem lesões como esofagite, estenose ou mesmo alterações celulares, que levam ao esôfago de Barrett.
O refluxo persistente sempre exige tratamento cirúrgico?
Nem sempre. A cirurgia de refluxo, fundoplicatura, é indicada em casos bem específicos, quando tratamentos clínicos, feitos com medicamentos e modificações de hábitos, não controlam os sintomas, ou quando há complicações.
Entre as situações em que ela pode ser considerada estão:
- Falta de resposta ao tratamento clínico adequado, incluindo uso de inibidores de bomba de prótons por tempo suficiente.
- Dependência contínua de medicamentos para controlar os sintomas;
- Presença de hérnia de hiato de tamanho significativo, que favorece o refluxo.
- Complicações como esofagite grave, estenoses ou esôfago de Barrett;
- Sintomas atípicos, como tosse crônica, rouquidão ou asma, que não melhoram com tratamento clínico.
Ou seja, a cirurgia não é obrigatória para todos os casos de refluxo persistente. Porém, em casos selecionados, é uma opção eficaz e recomendada quando outras abordagens não trazem alívio satisfatório ou quando há riscos adicionais com o quadro clínico.
Como é feito o tratamento cirúrgico do refluxo persistente?
O objetivo da fundoplicatura é reforçar o mecanismo natural que impede o retorno do conteúdo do estômago para o esôfago. Atualmente, esse tratamento pode ser realizado por técnicas minimamente invasivas, principalmente por meio da fundoplicatura, uma técnica laparoscópica, ou da cirurgia robótica.
Ambas permitem realizar o procedimento com pequenas incisões no abdômen e oferecem boa visualização das estruturas internas, o que contribui para maior precisão durante a operação. A escolha da técnica depende da avaliação médica, das características do paciente e da experiência da equipe cirúrgica.
Conheça as duas técnicas!
Cirurgia laparoscópica
A fundoplicatura por laparoscopia é um procedimento minimamente invasivo realizado sob anestesia geral. São feitas de 4 a 5 incisões pequenas no abdômen para permitir a entrada da câmera e dos instrumentos cirúrgicos.
O cirurgião usa essa câmera de alta definição para visualizar as estruturas com precisão. Assim, ele pode operar com mais segurança e aplicar as técnicas necessárias em cada caso.
É feito o reforço do esfíncter esofágico. Para isso, parte do fundo do estômago é envolvida ao redor da porção inferior do esôfago para fortalecer o esfíncter e reduzir o refluxo. Se houver hérnia de hiato, ela também é reparada.
Cirurgia robótica
A cirurgia robótica segue os mesmos princípios da fundoplicatura laparoscópica, mas utiliza um sistema robótico. Ele auxilia o cirurgião na execução dos movimentos com maior precisão.
Nesse procedimento, também são realizadas pequenas incisões no abdômen para a introdução de uma câmera e de braços robóticos com instrumentos cirúrgicos. Esses braços são controlados pelo cirurgião a partir de um console, que permite visualizar o campo operatório em imagem tridimensional e com grande amplificação.
Essa tecnologia amplia a capacidade de movimentação dos instrumentos, permitindo movimentos mais delicados e precisos durante etapas importantes da cirurgia, como o reparo da hérnia de hiato e a fundoplicatura.
Assim como na laparoscopia, a cirurgia robótica é considerada uma abordagem minimamente invasiva e busca corrigir a causa do refluxo, restaurando a barreira natural entre o estômago e o esôfago.
Como é feita a cirurgia laparoscópica de refluxo?
A cirurgia laparoscópica é um procedimento minimamente invasivo realizado sob anestesia geral. São feitas de 4 a 5 incisões pequenas no abdômen para permitir a entrada da câmera e dos instrumentos cirúrgicos.
O cirurgião usa essa câmera de alta definição para visualizar as estruturas com precisão. Assim, ele pode operar com mais segurança e aplicar as técnicas necessárias em cada caso.
É feito o reforço do esfíncter esofágico. Para isso, parte do fundo do estômago é envolvida ao redor da porção inferior do esôfago para fortalecer o esfíncter e reduzir o refluxo. Se houver hérnia de hiato, ela também é reparada.
Quais são os benefícios das cirurgias minimamente invasivas no tratamento do refluxo?
Quando bem indicadas, tanto a cirurgia laparoscópica quanto a cirurgia robótica oferecem vantagens importantes em comparação à técnica aberta tradicional. Como utilizam incisões menores e tecnologia de visualização avançada, essas abordagens permitem realizar o procedimento com menor agressão aos tecidos.
Entre os principais benefícios estão:
- Menor dor no pós-operatório: devido às incisões menores e à menor manipulação dos tecidos;
- Tempo de internação reduzido: permitindo que muitos pacientes recebam alta hospitalar em um ou dois dias;
- Recuperação mais rápida: retorno gradual às atividades cotidianas em menos tempo;
- Redução do risco de complicações: relacionadas à ferida cirúrgica, como infecções e hérnias incisionais;
- Melhor visualização das estruturas anatômicas: o que contribui para maior precisão durante a cirurgia.
Ainda assim, é importante lembrar que toda cirurgia envolve riscos e exige cuidados no período pós-operatório. Por isso, a decisão pelo tratamento cirúrgico deve sempre ser feita após avaliação médica detalhada, considerando o histórico clínico e os exames de cada paciente.
Nem todo caso de refluxo persistente exige cirurgia laparoscópica, mas essa técnica é uma opção eficaz quando o tratamento clínico não controla os sintomas, ou quando existem complicações associadas. Essa técnica oferece benefícios importantes, mas a decisão pelo procedimento deve ser feita pelo médico, após avaliação de cada paciente.
Perguntas Frequentes
1. Quando o refluxo persistente indica necessidade de cirurgia?
Quando os sintomas continuam mesmo com tratamento medicamentoso ou quando há complicações, como esofagite ou hérnia de hiato.
2. Refluxo persistente que não melhora com remédios precisa operar?
Nem sempre. A cirurgia é considerada quando os medicamentos não controlam os sintomas ou quando o paciente não pode utilizá-los por longos períodos.
3. O que é fundoplicatura no tratamento do refluxo persistente?
É uma técnica cirúrgica que reforça a válvula entre o estômago e o esôfago para evitar o retorno do conteúdo gástrico.
4. Refluxo persistente pode voltar após a fundoplicatura?
Na maioria dos casos, o controle é duradouro, mas em alguns pacientes os sintomas podem reaparecer com o tempo.
5. Quem tem refluxo persistente sempre precisa de cirurgia?
Não. Muitos pacientes conseguem controlar o refluxo com medicamentos, mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico.

