Em muitos casos, mudanças de hábitos e medicamentos conseguem controlar o refluxo. Mas existem situações em que o tratamento cirúrgico pode ser a melhor alternativa para evitar complicações e melhorar a qualidade de vida.
A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) acontece quando o conteúdo do estômago retorna de forma frequente para o esôfago, provocando sintomas como azia, regurgitação e desconforto no peito. Isso pode ocorrer por alterações no funcionamento da válvula que separa o esôfago do estômago ou por defeitos anatômicos, como a hérnia de hiato.
Geralmente, o tratamento inicial envolve mudanças na alimentação, controle do peso e uso de medicamentos que reduzem a produção de ácido no estômago. No entanto, alguns pacientes continuam apresentando sintomas ou desenvolvem complicações. Nestes casos, a cirurgia para refluxo pode ser indicada.
Este artigo explica quais são as indicações do tratamento cirúrgico para refluxo. Continue a leitura para conferir!
Refluxo refratário ao tratamento clínico
Uma das principais indicações de cirurgia ocorre nos casos de refluxo refratário, ou seja, quando os sintomas persistem mesmo com o uso correto dos medicamentos.
Os inibidores da bomba de prótons (IBPs), como omeprazol e pantoprazol, costumam ser eficazes no controle da acidez gástrica. Porém, alguns pacientes continuam apresentando azia, regurgitação e desconforto mesmo utilizando essas medicações de forma adequada.
Antes da indicação cirúrgica, é importante confirmar se os sintomas realmente estão relacionados ao refluxo. Para isso, podem ser solicitados exames como endoscopia digestiva, pHmetria e manometria esofágica.
Quando há confirmação da DRGE e falha do tratamento clínico, a cirurgia passa a ser considerada uma opção terapêutica.
Dependência prolongada de medicamentos
Outra possível indicação da cirurgia para refluxo envolve pacientes que conseguem controlar os sintomas apenas enquanto utilizam doses altas de medicação contínua.
A cirurgia pode ser considerada principalmente em pacientes que apresentam boa resposta aos remédios, mas desejam reduzir a dependência medicamentosa excessiva a longo prazo, após avaliação médica adequada.
É importante destacar que a decisão cirúrgica deve considerar riscos, benefícios e características individuais de cada paciente.
Complicações da doença do refluxo
A cirurgia para refluxo também pode ser indicada quando o problema provoca lesões ou alterações estruturais no esôfago, como:
- esofagite erosiva severa;
- úlceras esofágicas;
- estenose esofágica;
- esôfago de Barrett.
Nessas situações, controlar apenas os sintomas pode não ser suficiente. O objetivo do tratamento passa a incluir a redução da agressão contínua ao esôfago e a prevenção de novas complicações.
Hérnia de hiato grande
A presença de uma hérnia de hiato volumosa é outro fator importante na indicação cirúrgica. Nesse quadro, parte do estômago se desloca para o tórax através do diafragma, alterando a anatomia da região e favorecendo o refluxo.
Quando a hérnia é significativa, o tratamento clínico isolado pode ter resultado limitado, já que existe um componente anatômico contribuindo para o problema. Então, a cirurgia visa corrigir a hérnia e restaurar o mecanismo de barreira entre estômago e esôfago.
Sintomas respiratórios e manifestações atípicas
O refluxo também pode provocar sintomas fora do sistema digestivo, especialmente quando o conteúdo gástrico alcança as vias aéreas superiores. Entre as manifestações que podem estar associadas à DRGE estão:
- tosse crônica;
- rouquidão e laringite recorrente;
- crises de asma agravadas pelo refluxo;
- pneumonias de repetição;
- engasgos noturnos.
Quando há comprovação da relação entre esses sintomas e o refluxo, a cirurgia pode ser considerada em situações selecionadas.
O procedimento mais utilizado atualmente é a fundoplicatura laparoscópica, técnica minimamente invasiva realizada por pequenas incisões no abdômen.
Durante a cirurgia, o cirurgião reforça a região do esfíncter esofágico inferior utilizando parte do estômago para criar uma barreira contra o refluxo. Quando há hérnia de hiato associada, ela também é corrigida.
Nem todo paciente precisa de cirurgia para refluxo. Porém, em casos de sintomas persistentes, dependência prolongada de medicamentos, complicações da DRGE ou alterações anatômicas importantes, o tratamento cirúrgico pode ser indicado. A avaliação individualizada é essencial para definir a melhor abordagem e garantir segurança no tratamento.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Quando a cirurgia para refluxo pode ser indicada?
A cirurgia pode ser considerada quando os sintomas persistem mesmo com tratamento clínico adequado ou quando o refluxo provoca complicações no esôfago.
2. Quem tem refluxo precisa operar obrigatoriamente?
Não. Muitos pacientes conseguem controlar o refluxo com mudanças de hábitos e medicamentos, sem necessidade de cirurgia.
3. Quais exames ajudam a indicar a cirurgia para refluxo?
Exames como endoscopia digestiva, pHmetria e manometria esofágica ajudam a confirmar o diagnóstico e avaliar a necessidade do tratamento cirúrgico.
4. Hérnia de hiato pode aumentar a indicação de cirurgia?
Sim. Hérnias de hiato volumosas podem favorecer o refluxo e reduzir a eficácia do tratamento clínico, tornando a cirurgia uma alternativa importante.
5. O refluxo pode causar sintomas fora do sistema digestivo?
Sim. Tosse crônica, rouquidão, crises de asma, pneumonias de repetição e engasgos noturnos podem estar relacionados ao refluxo gastroesofágico.

